Por Mariana Nakata

Desde o anúncio da gestação de seu primeiro filho com o príncipe Harry, a duquesa Meghan Markle vem chamando a atenção por suas declarações que, muitas vezes, destoam dos protocolos adotados pela família real britânica. Adepta de um estilo de vida saudável, a americana já afirmou que pretende ter um parto o mais natural possível e evitar até mesmo o uso de anestésicos – ela optará pela auto-hipnose para passar pela dor das contrações.

O método é pouco conhecido até mesmo pelas mulheres que escolhem o parto natural. Segundo o psicólogo Valdecy Carneiro, hipnoterapeuta e especialista em medicina comportamental, o acompanhamento com a auto-hipnose pode começar desde o pré-natal.

Ensinamos a pessoa como entrar em um transe hipnótico, o estado alfa. Trata-se de um estado de alerta relaxado, em que tudo fica mais intenso

Ao longo do pré-natal, o hipnoterapeuta ensina técnicas de relaxamento e prepara a paciente para que, no momento do parto, o corpo volte ao estado de relaxamento aprendido e saiba como processar as contrações para a passagem do bebê.

“Ensinamos a pessoa a entrar em um transe hipnótico, o estado alfa. Trata-se de um estado de alerta relaxado, em que tudo fica mais intenso”, diz o médico.

Nas sessões, que devem acontecer desde o início da gestação, a mulher é instruída para criar, a partir de uma palavra-chave ou um movimento como apertar forte as mãos, um estímulo neurofisiológico que permita acessar sozinha esse estado de relaxamento, que atuará na eliminação do medo e a ansiedade. Na maioria das vezes, a mulher permanece consciente durante a hipnose, e mantém a sensação das contrações e do que acontece ao seu redor.

Por ser uma técnica meditativa de autoconhecimento, não influencia negativamente no estado de saúde do bebê. Pelo contrário: a auto-hipnose promete evitar traumas e ansiedade no recém nascido, tornando-o mais calmo e integrado à mãe.

Mas precisa? 

Os fatores que motivam a escolha pelas técnicas não farmacológicas de alívio da dor durante o parto são diversos. Passam pelo medo da anestesia, pela busca por uma experiência mais intensa, pelo temor dos efeitos que os medicamentos possam ter no bebê.

Mas, segundo o médico Rafael Romero, do Coletivo de Anestesia Obstétrica, especializado em partos humanizados, os métodos de analgesia evoluíram muito desde a década passada. “Hoje, trabalha-se com doses muito menores de analgésicos locais. Uma quantidade muito pequena passa para a placenta, sem efeito sobre o bebê. Não há diferenças estatísticas, quando comparamos partos com e sem analgesia, a respeito do aumento de procedimentos invasivos, encaminhamento para cesáreas, reflexo mamário ou índice de Apgar (teste que dá uma “nota” às condições do bebê) do recém-nascido”, diz.

O anestesista concorda, porém, que há alterações no que diz respeito à percepção das contrações, o que pode reduzir a vontade involuntária de fazer força no momento expulsivo do parto. Sem a dor, ele recomenda que a mulher esteja atenta a outros sinais, como o endurecimento da barriga, para saber quando deve fazer força.

(Foto: Getty Images)

Para aquelas que, assim como a duquesa Meghan, preferem dar à luz sem o uso de medicamentos, a obstetriz Paula Leal, do Coletivo Nascer, indica outras opções de técnicas para alívio da dor que podem ser utilizadas em partos hospitalares ou domiciliares:

Ducha morna

É o método mais acessível e conhecido, e pode ser utilizado desde as primeiras contrações até o período expulsivo do parto. Para ter efeito terapêutico e relaxar a musculatura, deve ser bem longo, durando pelo menos 40 minutos.

Banho morno de imersão

Por ser mais relaxante e reduzir mais as contrações que o banho de ducha, não deve ser utilizado logo no início do trabalho de parto, sob o risco de desacelerá-lo. O ideal é que a enfermeira obstetra indique o momento adequado. Algumas maternidades contam com salas de parto com banheira, mas é possível improvisar com uma piscina inflável de medidas específicas.

Acupuntura

Há doulas e obstetrizes habilitadas para aplicar a técnica, que pode ser utilizada para alívio da dor ou como medida para ajudar a acelerar o trabalho de parto que está demorando muito para evoluir, aumentando a dilatação e ajudando na descida do bebê.

Compressas e bolsas térmicas aquecidas

A compressa quente dilata os vasos e aumenta o aporte de oxigênio, aliviando a dor na região da lombar e no baixo ventre, principalmente na fase inicial do trabalho de parto.

Massagem

O toque na pele estimula receptores sensoriais e “concorre” com os estímulos de dor enviados para o cérebro, que recebe mais mensagens agradáveis e menos mensagens de dor. Pode ser aplicada por qualquer profissional da equipe de parto, e até pelo acompanhante.

Aromaterapia

Aromatizadores com óleos essenciais relaxantes, como o de lavanda, ajudam a criar um ambiente agradável e auxiliam no bem estar geral da mulher. Óleos de massagem com aroma natural (não sintético) de lavanda também pode aumentar a eficácia da técnica.

Fonte: Yahoo

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